segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Cristovam Buarque faz homenagem aos Professores em Sessão Solene no Senado

Cristovam Buarque faz homenagem aos Professores em Sessão Solene no Senado

*Por Maria Rachel Coelho Pereira


Hoje, em uma Sessão Solene no Senado Federal, iniciativa do Senador Cristovam Buarque,  de todos que se pronunciaram, a unanimidade foi a violência.

Muito natural, durante toda semana discutiu-se o cenário atual da educação brasileira à luz de agressões e mortes.

Com uma rápida pesquisa na web, apontando as principais dificuldades no ensino e nas instituições públicas e privadas do país, também constatamos isso. Quais são os maiores problemas da educação, na opinião dos brasileiros? "A gente vem aqui para estudar, quando chega não tem aula", diz uma menina do Rio de Janeiro, comunidade da Rocinha. "Salários baixos. Os professores ficam desmotivados", afirmam alunos e professores.

Mas a falta de segurança ser a primeira colocada no ranking das dificuldades só surpreendeu a quem não acompanha o trabalho incessante de Cristovam.

E essa questão, de certa forma, explica os seguintes, que é a desmotivação dos professores e a questão da dificuldade de aprendizado de algumas crianças, porque, quando não se tem um ambiente de paz, um ambiente próprio para o aprendizado, isso dificulta a relação ensino-aprendizagem, dificulta o trabalho do professor e, por desdobramento natural, também o desempenho dos estudantes.

Professores e alunos se sentem inseguros. Reclamam que a escola hoje é desprotegida.

Não imaginava, depois de décadas, falando e repetindo as palavras de Cristovam pelo Brasil inteiro, que o problema da insegurança, teria essa dimensão. Sabia que esse problema existia, mas tinha a impressão que estava focalizado em algumas áreas, em algumas cidades, mas hoje percebi que não é bem assim. Ao invés de homenagear Professores educadores, a maioria dos discursos hoje, foram para homenagear professores mortos e heróis tentando salvar seus alunos.

Os números confirmam que todas as classes sociais estão preocupadas com a violência nas escolas. Drogas e falta de segurança são citadas por 60% dos entrevistados com renda familiar entre cinco e dez salários mínimos. E, mesmo entre os mais ricos, o índice chega a 40%. 

Quando atinge pobres e ricos passa a ser surpresa!

O segundo grande problema da educação apontado: professores desmotivados e mal pagos.

E finalmente a má qualidade do ensino. O número de analfabetos funcionais impressiona. Alunos que já passaram pela alfabetização, mas que ainda não conseguem ler a frase de nossa bandeira. Mas isso não deu tempo de ser abordado. Também, foi uma Sessão para homenagear e não para debater as soluções. Até porque, quem acompanha e luta por esse ideal, já sabe disso há muito tempo:


Para que hoje tivéssemos paz precisávamos ter construído escolas. “Construir uma escola custa muito menos do que não construí-la” DARCY RIBEIRO

Fazer do Brasil um país de “construtores de mentes” ; “A causa da desigualdade está no acesso à educação” ; “filho do trabalhador na mesma escola do filho do patrão”; “o futuro de um país tem a cara de sua escola” ... CRISTOVAM BUARQUE

Estamos muito atrasados, e ainda dizem que é cedo para implantar uma escola em horário integral, pagar bem seus professores e exigir deles qualificação e dedicação.

Hoje se falou muito no Japão. Mas pensam que outros países tem boas escolas porque são ricos, mas é o contrário: eles são ricos porque tem boas escolas. A educação não vem da riqueza, a educação faz a riqueza. O Brasil é um país com as prioridades de cabeça para baixo.

Não tem futuro um País que não valoriza o professor. E temos que rever isso. Aumentando a demanda que os professores exercem sobre a economia através da melhoria salarial, e vinculada à qualidade. A educação só melhora se esse dinheiro for revertido em qualidade educacional, exigindo mais formação e dedicação do professor e melhores notas dos alunos, vinculando os incentivos dados aos professores aos resultados que esses professores consigam nas salas de aula. 


Precisamos assumir isso no Brasil. Buscar uma saída, não puramente econômica e sim uma saída capaz de ver toda a complexidade da crise, a financeira, a econômica produtiva, a social da desigualdade e principalmente, a ecológica. Uma saída sustentável e não uma saída provisória, como se tem feito.

Já passou da hora. Chega de omissão. Não podemos esperar mais. Mas sempre é tempo de começar ou recomeçar.

Não podemos mais ficar comentando mortes e agressões à professores, violência fechando escolas por tempo indeterminado e  resultados vergonhosos de pesquisas. Não podemos mais continuar pagando as altas contas desses congressistas que passam o tempo todo enrolados em escândalos, enquanto nossas crianças analfabetas estão perambulando pelas ruas. 

Temos que ousar como fez Darcy Ribeiro no Rio de Janeiro mas que lamentavelmente, seus sucessores não levaram adiante.

Nós temos capacidade para isso. Nós temos pessoas para isso. Lideranças que querem sair desse modelo que faliu e buscar um novo. Sair da crise buscando o novo e não sair da crise voltando e insistindo em direção à parte velha de um sistema que não funciona mais.

Está na hora. Há alguns anos atrás a polarização do debate eleitoral nos mostrava que os partidos e candidatos eram iguais. A diferença se limitava à tentativa de mostrar quem resistia mais às denúncias. Mas já havia uma proposta nova de alguém limpo e com uma história íntegra para reorientar os rumos nacionais.  E o mais impressionante: continua havendo! Ele insiste! E com a mesma coerência do começo, mesmo que, às vezes, seja rotulado de “chato”.
Não precisamos manter o caminho adotado e que criou a tragédia social em que vivemos. O Brasil precisa dessa Revolução! Nossa Revolução é pela Educação! Venha com a gente!


“ Houve um tempo de construtores de pirâmides e dos construtores de fábricas. Agora é o tempo dos construtores de mentes” Cristovam Buarque


* Professora, Educadora e Indigenista

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