quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Empresas de cosméticos e índios ficam sem acordo em processo de biopirataria

Para ashaninkas, saberes tradicionais foram apropriados indevidamente.Fabricantes alegam que tecnologia foi obtida em publicações científicas.

Terminou sem acordo uma audiência de conciliação, realizada nesta terça-feira (17), em Rio Branco (AC), para tratar de um processo em que empresas de cosméticos são acusadas de se apropriar de conhecimentos tradicionais dos índios ashaninkas. As empresas são a Natura e a Chemyunion. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), essas firmas usam, em alguns de seus produtos, derivados de uma planta chamada murumuru. Na visão do MPF, para usar o murumuru é necessária uma tecnologia que teria sido indevidamente obtida dos ashaninkas. Um empresário de nome Fábio Dias também é réu no processo. O encontro aconteceu na 3ª Vara Federal da capital acreana. Segundo o procurador federal Anselmo Lopes, o empresário Dias, após conviver entre 1992 e 1996 com os ashaninkas, teria vendido a tecnologia do uso do óleo de murumuru à Chemyunion. E esta seria fornecedora do produto à Natura. Os índios haviam se associado a Dias para tentar vender seus produtos tradicionais. No entanto, afirma o procurador, a partir de 1998 Dias teria excluído os ashaninkas dos negócios. A ação do MPF pede que todas as patentes registradas pelos acusados com o uso do murumuru sejam canceladas. Pede também que o lucro obtido com a venda dos produtos derivados seja dividido com os indígenas. “Queremos que se reconheça que as patentes decorreram do conhecimento tradicional dos ashaninkas”, diz o procurador Lopes.

Publicações científicas

A Natura, uma das maiores fabricantes de cosméticos do Brasil, afirma que não cabe ressarcimento ao indígenas porque não obteve deles o conhecimento sobre o murumuru. “Nunca tivemos nenhuma relação com os ashaninkas”, afirma o diretor de Sustentabilidade da companhia, Marcos Vaz. Ele diz que a empresa obtinha o murumuru da Reserva Extrativista do Médio Juruá, no Amazonas, e que pagava por isso. Com o óleo da castanha do murumuru, a Natura produzia xampus e cremes de cabelo. De acordo com Vaz, essa substância não é mais usado pela empresa. Marcelo Golino, presidente e sócio da Chemyunion, que seria a intermediária entre Fábio Dias e a Natura, também alega que não fornecia murumuru para aquela companhia. Segundo ele, a utilidade do óleo de murumuru para a produção de cosméticos está registrada em publicações científicas desde a década de 50 e, portanto, não é conhecimento exclusivo dos ashaninkas. “Essa gordura já era usada em sabonetes há muito tempo”, diz. Ouvido pelo Globo Amaznia, Fábio Dias , dono da Tawaya, empresa de cosméticos sediada em Cruzeiro do Sul (AC), concorda com Golino ao afirmar que o uso do óleo não é exclusividade dos ashaninkas e é conhecido da população amazônica há muito tempo. "A produção de óleo de murumuru já aparecia em estatísticas de produção agrícola dos anos 50", diz. Ele afirma ter mais de dez publicações antigas até do século 19 que citam a substância. "Eu fui até os ashaninkas para levar a tecnologia de branco, e foi o que fiz", afirma. Uma vez que não houve acordo entre as partes, o processo deve prosseguir com a coleta de provas e convocação de testemunhas, informa o procurador Lopes.

Fonte: G1/Amazônia http://bit.ly/99Tq68

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Livro conta história de indígenas explorados para produção de borracha

Irlandês foi ao Peru em 1910 para investigar torturas e assassinatos.Roger Casement concluiu que 30 mil indígenas haviam sido mortos.

Um caso brutal de exploração de indígenas amazônicos é o tema central de um novo livro lançado nos EUA. "The Devil and Mr. Casement" (“O demônio e o sr. Casement”, numa tradução livre), do historiador John Goodman, conta a história real do diplomata irlandês Roger Casement.

Em setembro de 1910, ele foi mandado pelo governo britânico para a região do Rio Putumayo, que hoje define a fronteira entre Peru e Colômbia, para averiguar denúncias de desrespeito aos direitos humanos nos seringais do empresário peruano Julio César Arana.

Casement então concluiu que mais de 30 mil índios haviam morrido para produzir 4 mil toneladas de borracha na região. Arana era proprietário da Peruvian Amazon Company, com sede em Londres, que negociava a matéria-prima na Europa. Segundo informações do “New York Times”, Casement esteve duas vezes na área do Putumayo e coletou evidências de tortura, estupros em massa, mutilações, execuções e perseguições aos índios locais, que tiveram sua população, de acordo com os cálculos do britânico, reduzida de 50 mil para 8 mil pessoas entre 1906 e 1911.

Quando publicou o relatório sobre seu levantamento, em 1912, Casement fez com que Arana tivesse que se explicar às autoridades inglesas. A Peruvian Amazon Company acabou sendo liquidada, num dos primeiros grandes casos de indignação da opinião pública contra os abusos dos direitos humanos.

"The Devil and Mr. Casement - One Man’s Battle for Human Rights in South America’s Heart of Darkness" é da Editora Straus & Giroux.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

PROFESSOR AYLTON: MAIS UM HERÓI BRASILEIRO!

É com muito carinho que publicamos algumas fotos dos alunos do Professor José Aylton, professor polivalente da Escola Municipal de Ensino Fundamental Nossa Senhora Aparecida que fica no Estado da Paraíba, no Município de Bananeiras, a 130 km da capital João Pessoa.





Bananeiras tem 23 mil habitantes, destes, só 5 mil residem na cidade, os demais na Zona Rural, onde fica a escola e as dificuldades são muitas. Mas Aylton faz de tudo para ver seus alunos felizes.
Aylton acaba de ganhar um computador do MEB – Movimento Educacionista do Brasil.

Parabéns, Aylton, mais um herói brasileiro. Nós do MEB vamos ajudá-lo na melhoria das instalações da escola.

Se você também quiser ajudar a escola de Aylton, entre em contato com ele: joseaylton@bol.com.br

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

INSCRIÇÕES PARA CONCURSO DA FUNAI VÃO ATÉ O DIA 5

ABERTAS INSCRIÇÕES PARA CONCURSO DA FUNAI ATÉ O DIA 5 DE FEVEREIRO


Inscrições para concurso da Funai encerram dia 5 de fevereiro.

As taxas são de R$ 40 para as vagas de nível fundamental, de R$ 50 para as de nível médio, e de R$ 60 para o cargo de nível superior.

Encerram 5 de fevereiro as inscrições para o concurso da Fundação Nacional do Índio (Funai), que está ofertando com 425 vagas para níveis fundamental, médio e superior em várias regiões do Brasil. São 32 vagas para Roraima, sendo 10 para nível fundamental, 8 para nível médio e 14 para superior (as vagas são divididas com o Amazonas). Alguns dos aprovados devem trabalhar na Terra Indígena Raposa Serra do Sol.
Do total de vagas, 5 % são reservadas aos portadores de necessidades especiais. O concurso será organizado pelo Instituto Cetro. As remunerações são de R$ 3.080,38, R$ 3.321,90 e R$ 4.085,28.
As inscrições abertas no último dia 14 poderão ser feitas até 5 de fevereiro pelo site do Cetro Concursos (http://www.cetroconcursos.com.br/).


As taxas são de R$ 40 para as vagas de nível fundamental, de R$ 50 para as de nível médio, e de R$ 60 para o cargo de nível superiorO número geral de vagas é o seguinte: cargos de auxiliar em indigenismo (51 vagas), agente em indigenismo (150) e indigenista especializado (200). Além de Roraima e Noroeste do Amazonas, as vagas são para Acre e Sudoeste do Amazonas; Rondônia, Noroeste do Mato Grosso e Sul do Amazonas; Goiás, Maranhão e Tocantins; Amazonas Central (incluindo Manaus); Mato Grosso; Amapá e Pará; Mato Grosso do Sul; Sul e Sudeste; Minas Gerais, Sul da Bahia e Espírito Santo; Nordeste (exceto Maranhão) e para a sede em Brasília.As informações foram divulgadas a partir da página 112, terceira seção, do Diário Oficial da União.


O processo seletivo constará de provas objetiva, redação e prova prática para o cargo de auxiliar em indigenismo. As provas objetivas e de redação estão marcadas para o dia de 14 de março, no período da manhã para o cargo de nível médio, e no período da tarde para os demais cargos. Locais e horários serão publicados a partir do dia 8 de março.


MAIS DETALHES - De acordo com o edital, são 75 vagas para auxiliar em indigenismo (nível fundamental), cujo salário é de R$ 3.080,38. São dez vagas para Roraima e noroeste do Amazonas, 26 para Acre e sudoeste do Amazonas; 26 para Rondônia, noroeste de Mato Grosso e sul do Amazonas; oito para Amapá e Pará; e cinco para Goiás, Maranhão e Tocantins. Outras 150 vagas são para agente em indigenismo (nível médio), com salário de R$ 3.321,90, das quais oito vagas para Roraima e noroeste do Amazonas, oito para Acre e sudoeste do Amazonas, oito para Amazonas Central, incluindo Manaus, 12 para Rondônia, noroeste de Mato Grosso e sul do Amazonas, 18 para Mato Grosso, 18 para Amapá e Pará, 8 para Goiás, Maranhão e Tocantins, 20 para Mato Grosso do Sul, dez para o Sul e Sudeste, 12 para Minas Gerais, sul da Bahia e Espírito Santo, três para o Nordeste (exceto Maranhão) e 25 para Brasília (sede). Outras 200 vagas são para indigenista especializado, que exige formação superior, com remuneração de R$ 4.085,28. São 14 vagas para Roraima e noroeste do Amazonas; 18 para Acre e sudoeste do Amazonas; seis para o Amazonas Central, incluindo Manaus, 18 para Rondônia, noroeste de Mato Grosso e sul do Amazonas; 26 para Mato Grosso; 26 para Amapá e Pará; 24 para Goiás, Maranhão e Tocantins; 22 para Mato Grosso do Sul; oito para Sul e Sudeste; oito para Minas Gerais, Sul da Bahia e Espírito Santo; quatro para Nordeste (exceto Maranhão); e 26 para Brasília (sede).

As provas objetivas para todos os cargos e de redação - somente para os cargos de agente em indigenismo e indigenista especializado - serão realizadas nas cidades de Barra do Garça (MT), Belém (PA), Boa Vista (RR), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Fortaleza (CE), Florianópolis (SC), Imperatriz (MA), Lábrea (AM), Macapá (AP), Manaus (AM), Marabá (PA), Palmas (TO), Porto Velho (RO), Recife (PE), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Santarém (PA), São Gabriel da Cachoeira (AM), Tabatinga (AM), Vitória (ES) e São Luís (MA).
Os exames estão previstos para o dia 14 de março, na parte da manhã para agente em indigenismo, e à tarde para auxiliar em indigenismo e indigenista especializado.


Confira o edital no seguinte link: http://www.cetroconcursos.com.br/Projetos/FUNAI_2009/Edital-FUNAI

sábado, 16 de janeiro de 2010

JANETTE JANE A MINHA RAINHA!

Foi menina pobre. Depois foi Rainha das Atrizes. Foi também o grande amor do Juca. Foram tantas peças, tantos filmes e depois tudo se repetiu na vida real.
Bisavó da Giane,do Junior e da Isabela e chegou a ser batizada "Avó do Educacionismo".
Mas o seu melhor papel é mesmo ser minha mãe! Essa é minha mãe! Meu orgulho! Meu exemplo! Meu amor! Minha deusa!


Obrigada por tudo mãe!









FELIZ ANIVERSÁRIO, MÃE, EU TE AMO!

Um dia inteiro de festa na Aldeia Guarani de Camboinhas

Um dia inteiro de festa na Aldeia Guarani de Camboinhas. Foi assim que os índios receberam todas as doações para a reinauguração da Escolinha marcada para o próximo mês.
Também visitaram a Aldeia cerca de 40 fotógrafos do Clube FotoRio.
Formado por diversos fotógrafos, entre profissionais e amadores, o Clube FotoRio é um canal de comunicação e relacionamento sobre fotografia na cidade do Rio de Janeiro. Trazidos pela estudante de Direito da Universidade Estácio de Sá Liliam Maria, os fotógrafos adotaram de vez a Aldeia e até criaram uma página na web para os Guarani.

Se você quiser visitar a página dos Índios Guarani da Aldeia Tekoa Mboy-Ty de Camboinhas, Niterói - Rio de Janeiro: http://www.flickr.com/groups/guarani/
A festa começou às 9h com muita dança e apresentação do Coral das Crianças Guarani



Foram quatro carros lotados de doações de cadernos espirais, lápis de cor, caixas de hidrocor, pintura, borracha, apontador, 300 livros, dicionários, um curso completo de inglês em DVD, um lap top, impressora, uma estante, roupas e brinquedos.


Segundo previsão do Cacique Darcy Tupã em no máximo mais uma semana a Escolinha estará totalmente montada.


Logo após o pôr-do-sol iniciou-se a cerimônia de batismo da menina Eloá, a mais linda e nova Guarani da Aldeia de Camboinhas. Eloá está com 3 meses de vida.



Darcy Tupã ensinou o arco e flecha e testou as habilidades dos visitantes.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Para conservar práticas espirituais, aldeia no AM ganha escola de xamanismo

Saber tradicional inclui cura de doenças desconhecidas pela ciência.Antropólogo conseguiu apoio nos EUA para construção de maloca.
Dennis Barbosa
Do Globo Amazônia, em São Paulo
Mulheres baniwas receberam visitantes com dança para a inauguração da escola de xamanismo na aldeia Uapuí. (Foto: Michel C. Wright/Divulgação)
A influência de culturas externas ameaça a tradição do xamanismo entre os índios. Para tentar salvar os conhecimentos tradicionais dos baniwas, foi criada na aldeia Uapuí, na Terra Indígena Alto Rio Negro, no noroeste do Amazonas, uma escola para que novas gerações aprendam as técnicas de cura espiritual criadas ao longo de séculos por esse povo da floresta. A inauguração aconteceu no final do ano passado.
"É uma escola para revitalização do conhecimento dos índios baniwas”, explica o antropólogo Robin Wright, da Universidade da Flórida, nos EUA, que passou anos procurando patrocínio para o projeto, até conseguir apoio da Fundação para Estudos Xamânicos, sediada na Califórnia.
Wright conta que a chegada de missionários cristãos à região da Cabeça do Cachorro, onde fica a aldeia Uapuí, levou muitos índios a abandonarem suas crenças tradicionais.

Os pajés, a quem os índios atribuem o poder da cura por meio do mundo espiritual, foram perseguidos e acusados de práticas satânicas. Isso fez com que eles permanecessem somente em aldeias mais isoladas.

Os xamãs passam anos estudando para conseguir entrar em transe e, segundo acreditam os índios, buscar no mundo dos espíritos a receita de cura de cada doença, que então se dá com ingredientes naturais. “É um sistema de crença que nós não temos”, comenta Wright.
Fonte: Do Globo Amazônia, em São Paulo