sábado, 28 de março de 2009

VINTE ANOS

VINTE ANOS
* Por Cristovam Buarque
Foto: Cristovam Buarque em 1970

Se hoje eu tivesse vinte anos, faria o mesmo que fiz quanto tinha essa idade, em 1964. Ingressaria em um partido ilegal, porque não acreditaria nos que estão aí; não me candidataria, pois não teria orgulho de qualquer cargo; defenderia o voto nulo, já que não acreditaria em qualquer candidato; lutaria para retomar a democracia, pois estaria desconfiado da atual; propor-me-ia a fazer uma revolução, porque não estaria contente nem com o Brasil do presente nem com o previsível no futuro.
Mas tenho muito mais do que vinte anos, e sou obrigado a dizer que esse não seria o caminho certo para hoje.
Depois de um esforço de duas décadas, não devemos desprezar a democracia que conquistamos, mesmo com todos os defeitos que ela ainda apresenta. O que está em jogo não é, como nos meus vinte anos, o direito de falar e votar, mas o que propor, o que fazer. Não é poder fazer política, mas o que fazer na política. Se eu tivesse vinte anos hoje, escolheria lutar pela revolução que o mundo precisa fazer no século XXI: a revolução que ofereça a mesma chance entre gerações, com desenvolvimento sustentável e respeito ao meio ambiente (assunto que não existia nos meus vinte anos); e a mesma chance entre classes sociais, com uma escola igual para todos – algo que, presos ao socialismo, sequer considerávamos nos meus vinte anos. Eu seria militante da causa revolucionária de colocar os filhos dos trabalhadores mais pobres na mesma escola dos filhos dos mais ricos patrões. Ensinando-lhes o amor ao País, a necessidade da igualdade de oportunidades para todos os brasileiros, o respeito à natureza, um ofício para construir um Brasil melhor.
Quanto aos políticos atuais, lembro-me que foram (fomos, também sou um deles) escolhidos em eleições democráticas, nas quais o eleitor – inclusive o leitor deste artigo – pôde fazer sua escolha. Situação muito diferente daquela dos meus vinte anos. A cada quatro anos, temos chance de mudar todos os eleitos. Nenhum tendo sido cassado ou imposto por ditadores.
Quanto aos partidos, é certo que em quase nada se diferenciam entre si, tanto nas propostas quanto no comportamento. O próprio Presidente diz que é preciso fazer saladas de partidos para podermos governar; mesmo assim, há um leque tão grande de opções que é possível encontrar diferenças, ainda que sutis. Além do mais, é possível criar novos partidos, com total liberdade.
Se tivesse vinte anos, seria um educacionista e não teria alternativa, a não ser ingressar no mundo da política legal, partidária. Apesar do meu descontentamento com os políticos e partidos atuais, lutaria por meu país dentro de algum partido.
Lutaria para mudar os políticos; se nenhum merecesse meu apoio, lutaria para derrotar todos na eleição seguinte. Mas não defenderia mais o voto nulo, como fiz nos meus vinte anos, durante a ditadura que tutelava a política. Se fosse preciso, seria candidato também. Porque não é a democracia que está errada, não é a política que está errada, são os eleitos que não atendem às nossas expectativas.
Quando, depois de nove anos no exterior, escolhi Brasília para morar, e aqui cheguei há trinta anos – no dia 15 de março de 1979 –, não pensava em ser candidato a qualquer cargo. Tanto que escolhi esta cidade, onde não havia eleição para deputado federal ou distrital, nem senador, nem governador, prefeito, vereador. Vim para ser professor e fui envolvido pela política. Não nego as frustrações do dia-a-dia dessa atividade. Não nego o sentimento de tempo perdido pelos livros não lidos ou não escritos, e por limitar minha atividade docente na UnB a somente uma aula por semana. Mas tenho a satisfação de dizer que, na minha atividade política, transformei idéias de livros em leis no Diário Oficial. Por programas e leis, que implantei ou aprovei, como governador ou senador, pude mostrar que é preciso e é possível mudar o Brasil, fazer uma revolução na educação e pela educação. Mas, sobretudo, posso dizer que não fiquei omisso.
Se hoje eu tivesse vinte anos, não ficaria omisso. Quanto maior fosse meu descontentamento, maior seria meu envolvimento. Faria política, seria um revolucionário, lutaria para fazer a revolução, porque essa é a única forma de mudar um país. E faria isso dentro da democracia, por meio da educação, escolheria candidatos e lutaria por eles, ou seria eu próprio um jovem candidato.
É certo que, com a idade, a gente muda. Talvez eu tenha ficado velho, mas o Brasil também mudou. E o que eu pensava no passado pode ter ficado velho também.
* Professor da UnB e Senador da República
Artigo publicado no jornal Correio Braziliense de sábado, 28 de março

domingo, 22 de março de 2009

A MAIS GRAVE CRISE: A DA EDUCAÇÃO

* Por Maria Rachel Coelho

Durante toda semana discutiu-se o cenário atual da educação brasileira à luz de uma pesquisa encomendada ao Instituto Ibope pela ONG Todos pela Educação.
A pesquisa apontou as principais dificuldades no ensino e nas escolas públicas do país. Quais são os maiores problemas da educação pública, na opinião dos brasileiros? "A gente vem aqui para estudar, quando chega não tem aula", diz uma menina de Belém do Pará. "Salários baixos. Os professores ficam desmotivados", afirma um professor de Cuiabá.

E o primeiro lugar no ranking das dificuldades surpreendeu, 50% dos entrevistados citaram a falta de segurança e as drogas. Em segundo lugar, estão professores desmotivados e mal pagos. E em terceiro lugar aparece a baixa qualidade do ensino.
Não surpreende que a questão da segurança venha em primeiro lugar e, de certa forma, talvez esse item explique os dois seguintes, que é a desmotivação dos professores e a questão da dificuldade de aprendizado de algumas crianças, porque, quando não se tem um ambiente de paz, um ambiente próprio para o aprendizado, isso dificulta a relação ensino-aprendizagem, dificulta o trabalho do professor e, por desdobramento natural, também o desempenho dos estudantes.
Professores e alunos se sentem inseguros. Reclamam que a escola hoje é desprotegida.

O resultado da pesquisa desafia os especialistas que encomendaram o estudo. Não imaginavam que o problema da insegurança na escola tinha essa dimensão. Sabiam que esse problema existia, mas tinham a impressão que estaria mais focalizado em algumas áreas, em algumas cidades, mas a pesquisa mostra que o problema é muito mais amplo.
Os números revelam que todas as classes sociais estão preocupadas com a violência na escola pública. Drogas e falta de segurança são citadas por 56% dos entrevistados com renda familiar entre cinco e dez salários mínimos. E, mesmo entre os mais ricos, o índice chega a 40%.
Quando atinge pobres e ricos passa a ser surpresa!
O segundo grande problema da educação apontado pela pesquisa: professores desmotivados e mal pagos.
E finalmente a má qualidade do ensino. O número de analfabetos funcionais impressiona. Alunos que já passaram pela alfabetização, mas que ainda não conseguem entender o que leem. A prefeitura do Rio de Janeiro, também esta semana, quis saber quantas crianças estão na escola e não aprendem e avaliou estudantes de quarto, quinto e sexto anos. Dos 210 mil alunos, 25 mil foram considerados analfabetos funcionais.
Em todo o país, os brasileiros que não compreendem o que leem somam um quinto da população com mais de 15 anos de idade.

E estamos observando uma tragédia de resultados levando em conta somente os que estão na escola. Não foram avaliados e incluídos na pesquisa os que nunca freqüentaram a escola ou a abandonaram.
E por que um aluno que frequenta a sala de aula não consegue aprender? E por que toda essa crise educacional ?

Porque para que hoje tivéssemos paz precisávamos ter construído escolas. Construir uma escola custa muito menos do que não construí-la. Agora, precisamos transformar a escola de hoje, para transformar o Brasil.Fazer do Brasil um país produtor da indústria de conhecimento. É nisso que se baseia o Educacionismo. Uma escola de qualidade e igual para todos. O motor do progresso não é mais o engenheiro ou o economista, mas o professor. Estamos 200 anos atrasados, e ainda dizem que é cedo para implantar uma escola em horário integral, pagar bem seus professores e exigir deles qualificação e dedicação.

Pensam que outros países tem boas escolas porque são ricos, mas é o contrário: eles são ricos porque tem boas escolas. A educação não vem da riqueza, a educação faz a riqueza. O Brasil é um país com as prioridades de cabeça para baixo.

O Presidente Obama está dando um exemplo disso. Dos US$800 bilhões que está injetando no mercado, quase US$200 bilhões são para o sistema educacional, não só para melhorar o sistema, mas para gerar demanda para os bens que as escolas compram, e, com isso, dinamizar a economia.Serão novas escolas construídas nos Estados Unidos, novos equipamentos comprados, melhorar o salário do professor, e com isso, melhorar a economia.

Não tem futuro um País que não valoriza o professor. E Obama está revendo isso, aumentando a demanda que os professores exercem sobre a economia através da melhoria salarial, e vinculada à qualidade. A educação só melhora se esse dinheiro for revertido em qualidade educacional, exigindo mais formação e dedicação do professor e melhores notas dos alunos, vinculando os incentivos dados aos professores aos resultados que esses professores consigam nas salas de aula.

Precisamos assumir isso no Brasil. Buscar uma saída, não puramente econômica e sim uma saída capaz de ver toda a complexidade da crise, a financeira, a econômica produtiva, a social da desigualdade e a ecológica. Uma saída sustentável e não uma saída provisória, como se tem feito.Está na hora e isso tem que partir de nós, sociedade civil. Chega de omissão. Não podemos esperar mais.

Não podemos mais ficar comentando pesquisas com esses resultados vergonhosos. Não podemos mais continuar pagando as altas contas desses congressistas que passam o tempo todo enrolados em escândalos, enquanto nossas crianças analfabetas estão perambulando pelas ruas.
Temos que ousar como fizeram os anarquistas-educacionistas da época de Getúlio. E agora com uma revolução diferente. Abandonando esse sistema de desenvolvimento econômico em que estamos desde os anos 30.

Nós temos capacidade para isso. Nós temos pessoas para isso. Lideranças que querem sair desse modelo que faliu e buscar um novo. É um grande desafio. Mas podemos. Sair da crise buscando o novo e não sair da crise voltando e insistindo em direção à parte velha de um sistema que não funciona mais.

Está na hora. O Brasil precisa de uma proposta nova, diferente, alternativa, revolucionária. O Brasil precisa de uma revolução educacionista.

* Professora Universitária e Diretora-presidenta do Movimento Educacionista do Brasil.

sexta-feira, 20 de março de 2009

CARTA DE AGRADECIMENTO

Em nome de todas as comunidades indígenas do Brasil, em especial aos povos macuxi, wapichana, ingarikó, taurepang e patamona, venho a público registrar meus agradecimentos a Deus, aos ministros do Supremo Tribunal Federal e em especial ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a quem pedi ajuda pessoalmente e que com a coragem que nenhum outro teve, ajudou a colocar um ponto final num conflito que arrastava-se há mais de 30 anos.

Os índios da Raposa Serra do Sol, habitantes ancestrais do Brasil, cidadãos brasileiros culturalmente diferenciados, sempre acreditaram no Estado Democrático de Direito e na Constituição da República Federativa do Brasil, que os ampara como povos detentores de direitos originários

Reitero meus agradecimentos aos Ministros do Supremo Tribunal Federal pelo julgamento, às organizações indígenas e indigenistas, e, instituições religiosas, que durante décadas acreditaram e apoiaram a luta pelo reconhecimento da terra, além das organizações do próprio Estado Brasileiro, especialmente a FUNAI, Ministério da Justiça, Ministério Público Federal e Presidência da República.Com a conclusão do julgamento, e a retirada dos ocupantes ilegais, as comunidades finalmente viverão em paz e poderão construir um futuro de desenvolvimento sustentável e harmônico com a natureza.


A DARCY RIBEIRO, PARA QUEM PEDI UMA HOMENAGEM NO DIA 17 DE FEVEREIRO. A HOMENAGEM VEIO DO SUPREMO UM MÊS DEPOIS. MAS PARA QUEM O CONHECEU COMO EU, TENHO CERTEZA QUE O AGRADOU MUITO MAIS.
Parabéns e obrigada a todos que acreditaram na justa luta pelo reconhecimento de Raposa Serra do Sol.

Maria Rachel Coelho
Movimento Educacionista

terça-feira, 3 de março de 2009

NOSSA BANDEIRA NO DESFILE DA MANGUEIRA

Queria agradecer aos cerca de 360 Educacionistas que formaram a ALA EDUCACIONISTA DARCY RIBEIRO e em especial a Fátima Sório e ao meu Coordenador de fato e de direito, Ney Bravo; a Ronei Bravo e Marcos Batista que mais uma vez demonstraram o amor pelo Movimento e vieram de São Paulo especialmente para dividir a inesquecível emoção de fecharmos o desfile da Mangueira no sábado das campeãs, levando com tanta paixão o símbolo máximo do Educacionismo: a nossa bandeira EDUCAÇÃO É PROGRESSO.





Obrigada, Ney, por estar junto da gente, nesse momento histórico!

Maria Rachel Coelho


Vejam mais fotos do desfile em:

http://www.mariarachelcoelho.blogspot.com/

http://movimentoeducacionistadobrasil.ning.com/

www.educacionismomebiano.blogspot.com

www.mariarachelcoelho.com.br

VEJAM UM POUCO DO DESFILE COM NOSSA BANDEIRA NO YOUTUBE:

http://www.youtube.com/watch?v=Jwo2Qqoe4nk

segunda-feira, 2 de março de 2009

MOVIMENTO EDUCACIONISTA EM DEFESA DO ENCONTRO DAS ÁGUAS

O NCPAM assim como o Movimento Educacionista integram as forças contra a construção do Porto das Lajes, formado por ambientalistas, religiosos, sindicalistas, professores, médicos, agentes comunitários, produtores culturais, jornalistas, comunicadores de rádio e televisão, donas de casa, estudantes, entre outras representações organizadas da sociedade civil manauara, que se identificam como Amigos de Manaus, manifestando-se contra a Construção do Porto das Lajes nas confluências do Encontro das Águas, cartão postal de nossa cidade. Leia o manifesto e participe desta Rede em Defesa da Nossa Amazônia, passando adiante esta mensagem e manifestando o seu apoio:
O Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões é uma das maravilhas naturais da Amazônia, do Brasil e do mundo. Este ícone é reconhecido como patrimônio local da humanidade, devendo ser preservado para que os povos da Amazônia no presente e no futuro desfrutem das riquezas naturais e humanas dessa paisagem. Este patrimônio é protegido pela Constituição Federal e pela Constituição do Estado do Amazonas por ser um Bem cultural paisagístico e simbólico, representativo da Amazônia e de seus povos.
Espetáculo da natureza, que despertou nos colonizadores atitudes de espanto e admiração, merecendo de Frei Gaspar de Carvajal (1542), a seguinte exclamação: “vimos a boca de outro grande rio que entrava pelo que navegávamos, pela margem esquerda, cuja água era negra como tinta e, por isso, o denominamos rio Negro. Suas águas corriam tanto e com tanta ferocidade que por mais de vinte léguas faziam uma faixa na outra água, sem com ela misturar-se”.
Este símbolo de Manaus está sendo ameaçado pelo terminal portuário Porto das Lajes que está na iminência de ser construído na confluência do Encontro das Águas do Rio Negro com Solimões, à margem esquerda do Rio Amazonas, na foz do Lago do Aleixo, nas vizinhanças da Reserva Particular de Patrimônio Natural Nossa Senhora das Lajes, do Pólo Industrial de Manaus e das comunidades do Bairro Colônia Antonio Aleixo. Nesta área, pretende-se construir o mirante do Encontro das Águas, projeto da Prefeitura assinado por Oscar Niemeyer e implantar também o Programa Água para Manaus, que visa à captação e tratamento de água para abastecimento de 500 mil pessoas, com recursos do Governo Federal.
No entanto, em Audiência Pública realizada no dia 19 de novembro passado, os comunitários da Colônia Antonio Aleixo, os Amigos de Manaus e o Ministério Público Estadual manifestaram-se contrários a construção do Porto das Lajes devido à degradação paisagística, ao desmatamento, a poluição e impacto na fauna aquática e a depauperação dos recursos naturais e culturais de uso comunitário do Lago do Aleixo, que o empreendimento acarretará. O órgão ambiental responsável pelo licenciamento deverá solicitar a escolha de uma área de menor importância paisagística e já degradada. Deverá também exigir estudos de impacto ambiental (EIA/RIMA) de melhor qualidade técnico-científica do que o já apresentado pelo empreendedor ao IPAAM, que respeite a legislação ambiental e a comunidade do entorno, sendo capaz de identificar os impactos ambientais e sociais do empreendimento. O EIA/RIMA deverá propor claramente medidas concretas de mitigação e compensação de todos os impactos ambientais e sociais negativos
O mega-projeto do terminal portuário irá construir um pátio com mais de 100 mil metros quadrados de área, com capacidade para atender 250 mil unidades de contêiner, prejudicando a qualidade de vida futura de Manaus, pois irá degradar nosso principal ponto turístico, destruindo também, uma bela área de lazer da população e afetando a qualidade da água no ponto de captação a ser construído, além de destruir o recurso pesqueiro da Comunidade da Colônia Antônio Aleixo e da circunvizinhança.
Nós do Movimento Educacionista manifestamos nossa indignação frente ao descaso dos governantes, que permitem a degradação de nossos recursos naturais e culturais, sem compromisso com responsabilidade social e ambiental. Para tanto, exigimos que o Encontro das Águas seja transformado em Parque de Preservação Paisagístico, lazer e uso sustentável dos recursos naturais, garantindo esse Patrimônio às futuras gerações.

Movimento Educacionista/Amigos de Manaus/ Associação, Cultural, Ambienta e Tecnológica/WOMARÃ/ Fórum Permanente de Defesa da Amazônia/ Associação de moradores da Colônia Antonio Aleixo/ Comissão de Direitos Humanos da Arquidiocese de Manaus/ Núcleo de Cultura Política do Amazonas – NCPAM/UFAM/ Sindicato dos Jornalistas do Amazonas/ Centro Social e Educacional do Lago do Aleixo/ Associação Jesus Gonçalves/ Associação Beneficente dos Locutores Autônomos de Manaus.

domingo, 1 de março de 2009

A ESTRELA QUE NUNCA SE APAGOU

O PEQUENO EVANGELHO DA ESTRELA SOLITÁRIA

BEM-AVENTURADOS OS GUERREIROS EM PRETO E BRANCO QUE, COM UM ESCUDO NO PEITO E UMA BOLA NOS PÉS, FIZERAM DE CADA BATALHA UMA EPOPÉIA;

BEM-AVENTURADOS OS QUE TIVERAM A PACIÊNCIA DE ESPERAR, ANOS E ANOS, PELA GRAÇA DE UM GOLZINHO TRIUNFAL;

BEM-AVENTURADOS OS QUE DESCIAM, CADA DOMINGO, A RAMPA DOS CAMPOS ARRASTANDO BANDEIRAS NO CORTEJO DA DERROTA;

BEM-AVENTURADA A ESTRELA QUE NUNCA SE APAGOU NA TRAVESSIA DE TANTOS INFORTÚNIOS.

ELES BEM MERECEM, EM PLENITUDE, UM LUGAR NO REINO DOS CAMPEÕES.

ARMANDO NOGUEIRA
JUNHO 1989