segunda-feira, 27 de julho de 2009

ESCOLAS "SEM DESCULPAS" PROJETO-MEB NA RÁDIO CBN

Modelo de 'escola sem desculpas' mostra que é possível recuperar crianças de baixo nível socioeconômico.
ESCUTE A ENTREVISTA COM MARIA RACHEL COELHO, PRESIDENTE DO MEB - MOVIMENTO EDUCACIONISTA DO BRASIL, À RÁDIO CBN.



http://cbn.globoradio.globo.com/programas/revista-cbn/2009/07/26/MODELO-DE-ESCOLA-SEM-DESCULPAS-MOSTRA-QUE-E-POSSIVEL-RECUPERAR-CRIANCAS-DE-BAIXO-NIV.htm

sábado, 25 de julho de 2009

O QUE É O EDUCACIONISMO-MEBIANO

O QUE É O EDUCACIONISMO-MEBIANO

Por Maria Rachel Coelho

Foto: Senador Cristovam Buarque aderindo ao Movimento Educacionista do Brasil - MEB - como membro fundador.


Acabei de chegar de Brasília e resolvi escrever este artigo para esclarecer alguns mal-entendidos. As pessoas estão confusas e não estão entendendo qual a proposta do MEB.
Inicialmente, cabe ressaltar que o termo "educacionismo" é um termo cunhado ainda no século XIX, para designar os adeptos da "transformação social" através da "educação", que substituiria a ação política. É uma das características do anarco-comunismo de Piotr Kropotkin (1842-1921).

No Brasil, o primeiro a falar de Educacionismo foi o professor Sílvio Gallo, em O Paradigma Anarquista em Educação e também em Educação Libertária. Gallo é filósofo e professor da UNICAMP.

O termo Educacionismo também está relacionado ao escritor e político mexicano Justo Sierra (1848-1912), cujas idéias e iniciativas na vida educacional do seu país foram marcantes para a época. Fiel aos ideais liberais e positivistas, lutou por uma educação primária de caráter nacional, laica e gratuita; preocupou-se com a formação e valorização dos docentes; foi um dos principais criadores da Universidade Nacional Mexicana. Acreditava na educação como fator de crescimento econômico e de aperfeiçoamento da vida social.

Como todos podem ver, o termo tem a sua história.

Provavelmente, Cristovam Buarque, leitor voraz, já os conhecia, e procurou recuperar, recontextualizar (repolitizar) a palavra. Logo após sua campanha presidencial em 2006 encontrou um grupo que inicialmente começou com Ney Bravo, de São Paulo, e o Luis Afonso, do Rio Grande do Sul, que começaram a trabalhar por esse ideal.

Eu cheguei logo depois, e trouxe comigo o Professor Tomaz, da Paraíba; o Ricardo Menezes, do Mato Grosso do Sul; o Professor Belém do Amazonas; o Junior de São Paulo; o Professor Francisco de Pernambuco e inúmeros educacionistas que acreditaram nessa causa. Mas tínhamos um grande problema pela frente: como nos organizarmos para realizarmos esse sonho, já que para nós, hoje, educacionistas-mebianos, a causa educacionista consiste também em tomar as medidas necessárias para que todas as crianças iniciem cedo sua caminhada escolar (a partir dos quatro anos de idade), aprendam limites, valores e que as recompensas venham não pelo caminho fácil, do “jeitinho” que compra atalhos, mas pelo mérito; que encontrem salas de aulas disponíveis e com pleno potencial de aproveitamento de recursos pedagógicos e tecnológicos; que os professores se preparem bem, sejam bem remunerados, vocacionados e consequentemente não se ressintam em ser cobrados após serem valorizados; que possam contar com diretores de escola disponíveis, entusiastas e agregadores de parcerias pelo bem da escola; e que possam contar com gestores públicos que pensem em políticas públicas que envolvam as famílias no processo educativo, assim como acontece em países como a Inglaterra.

Os desafios são muitos. O maior como sempre é colocar nossa criatividade à prova para obter recursos para nossa empreitada de forma ética e transparente.

No “Movimento Educacionista – dos assessores de Cristovam” não se sabe para onde e tampouco em que é aplicado? Quando nos reunimos com o próprio Senador e propusemos institucionalizar o Movimento, tivemos uma forte resistência de alguns assessores de Cristovam, que se achavam donos do Movimento. Com muita facilidade, pois com o poder nas mãos, boicotavam nossas notícias, monopolizavam nosso jornal e blogs e lamentavelmente até baniram alguns de nossos coordenadores de uma Rede que foi construída com o trabalho de todos.

Coincidência ou não, depois que Cristovam desistiu de sua candidatura a Presidência em 2010, e não teve como levar adiante a candidatura à Unesco, embora tenha adorado a idéia e aderido ao MEB, perdeu o interesse em nos acompanhar. Foi, então, que o grupo decepcionado, magoado e se sentindo usado teve mais entusiasmo ainda.

Ele reafirma que continua com a gente. Ainda esta semana se mostrou feliz de termos organizado o MEB e de não pararmos de crescer. Segundo ele: ...”só assim o Movimento sobreviverá, quando eu morrer”...
E nós não paramos. Não somos movidos a cargos mas sim por uma imensa paixão. Estamos enlouquecidos com tantas adesões e envio de projetos de educacionistas-mebianos de todo o país. Porque aí está a grande diferença.

O projeto dos assessores do senador – Movimento Educacionista-Senado- visa apenas a reeleição de Cristovam para o senado e assim seus cargos por mais 8 anos.
Contudo, nosso propósito é maior, não se restringe a isso. Embora o custo seja bem elevado para o povo, vale a pena ter Cristovam no Senado, diria até que é necessário. Suas palavras ditas em plenários vazios, ou para construir imagem, não importa, são orgulho para todos nós. Mas queremos mudar a realidade, somos Mebianos porque queremos trabalhar essa causa. Somos Mebianos porque acreditamos em todos esses discursos, mas pensamos que até mesmo para continuar a divulgá-los temos que mostrar que isso é possível. E o Educacionismo é possível. Disso, nós não temos a menor dúvida.

* Professora Universitária e Diretora-Presidenta do Movimento Educacionista do Brasil - MEB

Nosso site entra no ar dia 12 de agosto

http://www.educacionismomebiano.blogspot.com/

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Quem foi Piotr Kropotkin, “pai do Educacionismo”

Quem foi Piotr Kropotkin, “pai do Educacionismo”

* Por Maria Rachel Coelho

O geógrafo, anarquista, e criador do educacionismo Piotr Kropotkin viveu de 1842 a 1921. Piotr é referência obrigatória no movimento anarquista internacional, não só por ter lançado em suas obras os fundamentos básicos de grande parte do ideário que iria nortear a história do anarquismo em seus desenvolvimentos subseqüentes, mas também pela dedicação integral de sua vida à causa da Revolução Social As idéias de Kropotkin têm como núcleo que somente educando-se intelectual e moralmente o povo este emanciparia-se, e evoluiria-se para o comunismo.

O anarquismo é – em termos gerais – uma doutrina de crítica da sociedade capitalista, visando sempre sua transformação e buscando a liberdade individual sem desprezar o social. A etimologia da palavra Anarquismo vem do grego “anarchos” que quer dizer “sem governo”, ou seja, uma ideologia que tem como pressuposto a idéia de inexistência de
qualquer tipo de governo ou poder. Para os anarquistas as instituições governamentais são intrinsecamente injustas e autoritárias o que as tornam prejudiciais à sociedade. Portanto, os anarquistas crêem que o Estado é desnecessário, existindo outras formas alternativas e viáveis para a organização da sociedade.

Em termos históricos “Anarquia” e “Anarquista” aparecerem de forma mais presente durante a Revolução Francesa, no entanto com um sentido de crítica negativa e até de
insulto, onde elementos de vários partidos usavam estes termos para difamar seus oponentes, geralmente pessoas de esquerda (WOODCOCK, 2002). Esta conotação
negativa da palavra prevalece até hoje na linguagem popular. Contra esta deturpação do anarquismo que aconteceu durante a Revolução Francesa temos os ensinamentos de Kropotkin que diz que o anarquismo tem suas raízes na Idade da Pedra quando o homem começou a viver em sociedade, pois para ele o instinto de justiça, de cooperação e de liberdade é um instinto natural do ser humano. O autor na verdade, procurou as raízes do anarquismo não nos filósofos, mas na massa anônima do povo.

É fundamental entender também que dentro da doutrina Anarquista existem muitas variantes, as principais são: o anarquismo individualista; o anarquismo mutualista; o anarquismo coletivista; O anarquismo comunista ou revisionismo educacionista: Aqui está o núcleo central de todos os problemas, desvios e deformações que a idéia do comunismo traz ao revisionismo-educacionista. No comunismo não há regulação social da economia, o indivíduo é o soberano absoluto na produção e na distribuição dos bens materiais, tudo girando em torno de sua necessidade. É importante ficar claro que a “necessidade” é algo absolutamente subjetivo e arbitrário, ou seja, enquanto um homem pode ter a “necessidade” de viver e consumir com simplicidade um outro pode ter a “necessidade” de ter tudo a toda hora e, de acordo com o comunismo, nada pode se interpor a esta “necessidade” individual já que ela é o centro em torno do qual gira a própria sociedade. Tamanho absurdo encontra uma solução autoritária e mecanicista na teoria marxista: a ditadura do Estado Popular se encarrega de condicionar moralmente as massas e de desenvolver ao infinito as forças produtivas com vistas a atingir uma abundância permanente. Já com Kropotkin e seus seguidores se vai cair no educacionismo, no evolucionismo cientificista e no flerte com o liberalismo. Kropotkin entende que o comunismo exige um adequada preparação moral das massas para que as “necessidades” de uns não se oponham às “necessidades” dos outros e façam ruir esta verdadeira “cidadela de anjos”. Assim sendo, de maneira extremamente coerente, Kropotkin assume uma linha política condizente com o evolucionismo biológico que já vinha sistematizando como núcleo de sua elaboração intelectual relativa à história das sociedades humanas. Para Kropotkin, a humanidade evoluía inexoravelmente rumo a formas elevas de apoio mútuo e neste processo evolutivo (que guardaria semelhanças com aquele de animais sociais como as formigas e as abelhas) tendia a romper com as estruturas sociais opressivas tais como a dominação burguesa. Desta maneira caberia aos “anarquistas-educacionistas kropotkinianos” agir de maneira a esclarecer e a educar intelectual e moralmente as massas no sentido de avançar o processo evolutivo que levaria à consolidação do comunismo. Assim e naturalmente Kropotkin e seus seguidores tenderam a se afastar do movimento operário e se aproximar da intelectualidade burguesa no sentido de convencê-la a trabalhar no sentido de educar moralmente as “massas ignorantes” de proletários, como afirma Kropotkin neste trecho:

“não tardei em reconhecer que não se produziria nenhuma revolução, pacífica ou violenta, enquanto as novas idéias e o novo ideal não tivessem penetrado profundamente na própria classe cujos privilégios econômicos e políticos estavam ameaçados”.

Eis aqui claramente o nível de profundidade da revisão liderada por Kropotkin com relação aos pressupostos desenvolvidos por Bakunin. Ao invés do anti-cientificismo de Bakunin, eis o evolucionismo biológico enquanto matriz teórica. Ao invés do método analítico e político materialista tal como formulado por Bakunin, eis o idealismo analítico e o educacionismo enquanto prática. Ao invés do classismo intransigente e revolucionário de Bakunin, eis a burguesia assumindo o papel de conduzir o proletariado a sua elevação moral. Estas deformações vão conduzir a outras no plano prático. A idéia de organização vai ser violentamente atacada pelos kropotknianos em perfeita concordância com seus pressupostos teóricos. Se a sociedade comunista é aquela em que o indivíduo e suas “necessidades” sujeitam o conjunto da sociedade, porque então o indivíduo que se educa hoje moralmente para este futuro deveria “castrar-se” frente as necessidades organizativas coletivas que diferem das suas individuais. É desta maneira que vai ganhar fôlego um agressivo individualismo anti-organizativo entre os kropotkinianos, e é deste meio que vai sair o resgate do liberal Max Stirner que até então era um absoluto desconhecido autor do passado.

O revisionismo educacionista ou anarco comunismo tem princípios muito próximos do anarquismo coletivista de Bakunin, diferenciando-se no modo de distribuição das riquezas produzidas, logo que sua máxima é: “de cada um de acordo com suas possibilidades e a cada um de acordo com as suas necessidades”. Piotr seu idealizador, entendia que era necessário, como alicerce desta proposta, a total expropriação dos bens da humanidade, já que compreendia ser impossível medir a contribuição de cada um no processo histórico da humanidade, censurava também qualquer tipo de governo ou representatividade.
Kropotkin era russo de família rica. Na sua biografia destaca-se o fato de que na Internacional ficou ao lado dos que apoiavam a facção de Bakunin (apesar das diferenças teóricas.
É importante perceber que no interior das formulações de Bakunin são centrais as idéias do 1) Anti-cientificismo (defesa da ciência mas recusa de seu papel dirigente na sociedade);
2) materialismo enquanto método analítico e político (uma recusa profunda de todo “educacionismo”): “Eu gosto muito desses socialistas burgueses que nos gritam sempre: ‘ Instruamos primeiro o povo e depois o emancipemos’. Pelo contrário nós dizemos: Ele que se emancipe primeiro e se instruirá ele próprio” ) portanto contra as idéias de Marx, oficializando assim as diferenças em relação ao pensamento deste intelectual. Como todo filósofo com idéias distintas em relação aos demais de sua época não teve o devido reconhecimento, ficando à margem do pensamento hegemônico (de esquerda) da época, principalmente o geográfico. Portanto, resgatar as obras de Kropotkin se faz muito importante pelo conteúdo de crítica radical que contém e também por acreditarmos que muitos de seus ideais continuam necessários e vivos na atualidade.

Acredita-se que a originalidade do pensamento de Kropotkin o tornou o principal responsável pela mudança da teoria anarquista, depois dele o anarquismo se tornou uma “teoria séria e idealista de transformação social, e não mais uma doutrina de violência de classes e de destruição indiscriminada".

A base de construção de sua teoria vem de sua experiência no governo dos Czares, experiência que nele despertou o horror pelo governo autocrático e a decepção com a indiferença e a corrupção daqueles que representavam o Estado. Por outro lado, mostrou-se impressionado com o sucesso de colonização em bases cooperativas de exilados na Sibéria. “Comecei a apreciar a diferença que existe entre a ação baseada no princípio do comando e da disciplina e na ação baseada no princípio do entendimento mútuo” .
Sua contribuição como geógrafo baseia-se principalmente nas 50 mil milhas que viajou pelo Oriente elaborando teorias sobre a estrutura das cadeias de montanhas e platôs da Ásia Oriental, articulando estes conhecimentos com a discussão sobre a grande seca que levou povos da Ásia Oriental a migrarem para o ocidente provocando invasões bárbaras na Europa e no Oriente. Foi também um dos colaboradores da Enciclopédia Britânica. Como fruto destas expedições recebeu convite para assumir a Sociedade Geográfica Russa, mas recusou o convite por pensar que havia coisas mais importantes a se fazer naquele momento como, por exemplo, “lutar por uma sociedade mais justa”. Em 1878 funda o Jornal Le Révolté que se tornaria o mais influente dos jornais anarquistas.
Dentre as suas principais obras destacam-se: “Palavras de um Revoltado”, publicado com a ajuda de Elisée Reclus (que também era geógrafo e anarquista), em 1885. O livro trata da incapacidade dos governos revolucionários, para ele: “Nada se faz de bom e durável senão pela iniciativa do povo, e todo poder tende a matá-la” (KROPOTKIN, 2005, p.10). Faz critica contumaz aos socialistas dizendo que estes estão mais preocupados com a burocracia, enquanto os anarquistas estão mais preocupados com a prática da igualdade. Diz ainda que atos de protestos e revoltas fazem mais propagandas do que milhares de brochuras: “Basta de leis, basta de juizes! A liberdade, a igualdade e a prática da solidariedade são o único dique eficaz que podemos opor aos instintos anti-sociais de alguns de nós” (KROPOTKIN, 2005, p. 11).
No Livro “A conquista do Pão”, publicado em Paris no ano de 1892, é onde Kropotkin desenvolve mais explicitamente a teoria do anarquismo comunista. Nele reúne artigos escritos nos últimos dez anos, onde aborda vários temas da vida cotidiana e problemas sociais que sofria o povo naquele momento - e alguns até hoje – propondo soluções pensadas para um mundo onde a produção seria para o consumo e não para o lucro. Ele acreditava não se tratar de uma visão de sociedade utópica, mas sim uma discussão presente das razões científicas e históricas dos problemas que afligem a humanidade e da sua superação. Acreditava fundamentalmente que é necessário criar comunas (unidades mais próximas ao povo para suas preocupações imediatas), sendo que estas comunas não seriam impostas por um governo e sim fruto de uma união voluntária: “pela união das outras comunas produzem uma rede de cooperação que substitui o Estado”.
Certamente seu Livro “A ajuda mútua”, publicado em 1902, é o mais conhecido e surge como resposta aos neo-darwinistas que transportaram para o campo social as idéias naturalistas da obra de Darwin como forma de legitimar o imperialismo de países europeus. Na época. Kropotkin refuta as idéias dos neo-darwinistas defendendo que a ajuda mútua é mais importante para evolução das espécies, pois ela é instintiva e esta presente em todos os seres vivos, sendo ela a responsável pela sobrevivência e proteção dos mais fracos. E que embora força, rapidez, astúcia, cores e peles – mencionadas por Darwin como qualidades que tornam os indivíduos mais aptos – sejam importantes, a sociabilidade é a maior vantagem na luta pela vida. É o que podemos ver inclusive na vida humana ainda que no capitalismo, pois se não fosse a sociabilidade humana (mesmo que seja alienada) nós não teríamos o conhecimento, as tecnologias e os benefícios historicamente produzidos pelo homem. Kropotkin escreve que a solidariedade é uma qualidade inerente ao ser humano, e que nem as instituições coercivas como o Estado conseguiram acabar com a cooperação voluntária.

Os últimos dias de sua vida foram dedicados a divulgação de seus ideais, morre em 8 de Fevereiro de 1921 pregando que sua maior contribuição foi dar abordagem científica aos ideais anarquistas. Na visão de Woodcock (2002), sua maior contribuição foi promover a humanização do anarquismo e estabelecer uma relação entre teoria e a prática.


Acreditamos que para haver uma verdadeira mudança na sociedade atual o caminho a se seguir é o da crítica radical, é por meio dela que podemos desmistificar e quebrar princípios arraigados na nossa sociedade como, por exemplo, o de se confiar na representatividade política, delegando o poder a outros.
Como ensina Kropotkin, isto acaba com o espírito de ajuda mútua entre os homens, que já não se vêem como participantes e atuantes na sociedade, deixando sempre para que outros façam a melhoria e o desenvolvimento da sociedade. É preciso pensar que por meio de relações mais simétricas podemos construir um desenvolvimento mais humanitário, logo menos material.

Entendemos que os ideais de Kropotkin têm eco entre nós. Neste sentido, é interessante lembrar que ele pregava o ideal de expropriação dos bens da humanidade, onde tudo é de todos, da não-propriedade privada, onde as terras são cultivadas em comum, o princípio da não-autoridade, ou seja, da liberdade e autonomia como princípio, do desenvolvimento livre da ciência e das artes para todos, da produção conforme a possibilidade de cada um e o consumo conforme a necessidade. Por outro lado, acreditamos ser possível encontrar práticas na atualidade que se aproximam destes ideais como as vivenciadas pelas comunidades indígenas.


Existe até mesmo comprovação da existência de outras comunidades no Brasil como pode-se verificar pela pesquisa realizada por Eduardo Roberto Mendes e Rosemeire Aparecida de Almeida junto aos Yubas ( Comunidade Rural Yuba em Mirandópolis – São Paulo) – Revista NERA – ANO 10,N. 11 – JULHO/DEZEMBRO de 2007.

Por sua vez, a continuação e/ou aperfeiçoamento destas comunidades rumo a uma maior igualdade, portanto a superação dos “privilégios” de alguns de seus membros, depende de tempo para que os exemplos dos voluntários convençam pelo apelo moral os mais reticentes (como pensava Kropotkin), entendemos que é preciso também maior diálogo principalmente a respeito deste assunto que nos pareceu ser tratado como “tabu”. Pois, a continuidade das desigualdades pode agravar-se e, com isso, a vida comunitária, em cooperação mútua, dará lugar ao individualismo.
Atualmente vivemos num sistema que venera o individualismo em meio a graves problemas sociais e ambientais, neste cenário as obras de Kropotkin tornam-se atuais, pois elas falam de uma nova sociedade e já podemos vê-la em prática entre os Yubas. Isso contribui para pensarmos e lutarmos por estes ideais comunitários em que o individualismo, o consumo de futilidades, a super produção e o trabalho abstrato não tenham o foco central, mas, sim, o trabalho prazeroso, a arte e o consumo conforme as necessidades individuais de cada um, tendo como base a educação e a ajuda mútua.

*Professora Universitária e Diretora Presidenta do Movimento Educacionista do Brasil -MEB

EDUCAÇÃO SEM DESCULPAS

EDUCAÇÃO SEM DESCULPAS




Por Rachel Coelho



Ao longo da última década, em Nova Iorque, dezenas de escolas charter, escolas independentes que atuam com o apoio público e recebem fundo de iniciativa privada tem produzido grandes resultados com base num novo método: o "No excuses Schools", as "Escolas Sem Desculpas".
As escolas Harlem Children's Zone são um projeto notável, considerado recentemente pelo New York Times , "uma das mais ambiciosas experiências sociais do nosso tempo." Sendo uma das maiores realizações na área educacional dos últimos tempos, os grupos Harlem Children’s Zone estão provando que é possível recuperar crianças de baixo nível socioeconômico, crianças negras e aquelas para as quais o inglês é a segunda língua.
Os resultados também mostram um modelo emergente para estudantes de baixa renda. A teoria básica é que as crianças de classe média entram na adolescência com determinados modelos de trabalho em suas cabeças: o que eu posso alcançar, a forma de controlar impulsos; como trabalhar duro. Muitas das crianças mais pobres, com desestruturação familiar não têm interiorizado esses modelos.
A criança dentro do programa é trabalhada como um todo (seu ambiente familiar, aspectos sociais) e não somente com disciplinas curriculares. Um dos princípios trabalhados é que tanto a família quanto a comunidade se engajem no projeto. Pode haver até mesmo um incentivo econômico para que os pais participem do programa, mas mesmo na ausência desses fatores há todo um trabalho psicológico onde valores de classe média são incutidos nos alunos para que eles tenham aspirações na vida. Além de estímulos a auto estima, aprendem bons comportamentos sociais: como se comportar em público, como apertar uma mão etc.
A idéia é de Geoffrey Canadá, que afirma que as escolas, hoje, tem que ser redesenhadas para o sucesso . O programa abrange 100 blocos e atende 10.000 crianças em torno do Harlem. É um exemplo de como a inovação permitida em escolas charter, livre do jugo das tradicionais escolas públicas, pode ser um catalisador para a inovação e realização.
Nesse modelo de sucesso, o ano escolar também é mais longo. Segundo Canadá, algumas Harlem Children's Zone escolas estão abertas das 8h45 às 5h45, 11 meses por ano, porque é isso que é necessário para buscar esses estudantes. A avaliação de todos os passos é feita todos os dias pra ver o que está dando certo. Os resultados saem bem rápido para não deixar o aluno perder o passo, afinal ele tem que recuperar ainda no mesmo ano letivo. Os que estão com desempenho ruim passam 50 por cento mais tempo na escola. Já os que estão bem, ficam por mais 2 horas além do horário tradicional. Também são cobrados dedicação e esforço dos professores que são trocados quando após constantes avaliações, houver baixo desempenho dos alunos.
Alguns especialistas em educação argumentam que a escola sozinha não pode produzir grandes alterações. Os problemas estão na sociedade, e você tem de trabalhar em questões mais amplas como as desigualdades econômicas. Reformadores, por outro lado, afirmaram que a escola com base em abordagens pode produzir grandes resultados: crianças americanas de origem africana com médias iguais a crianças de classe média branca.
Canadá, que também é presidente e diretor executivo do Harlem Children’ s Zone, explicou na reportagem do New York Times que "se você intervém precocemente, a educação começa antes do nascimento, tendo os pais como parceiros e depois sendo academicamente rigoroso, você pode corrigir o problema. Se você começa mais tarde, no ensino médio, ainda é possível mas é muito, muito mais difícil. É como um paciente que está meio morto e tenta-se salvá-lo”. Canadá também defende que para eliminar o fosso social, o investimento nas crianças pobres deve ser maior, a nível comunitário e de longo prazo. Canadá estimou que a sua empresa investe uma média de 5.000 dólares por criança acima do que já é gasto em escolas públicas e programas para famílias pobres do bloco 100-seção do Harlem.
Na mesma matéria, Canadá disse que conheceu vários presidentes, governadores e secretários da educação e eles perguntaram para ele qual era a a solução? E ele respondia: "Eu sou completamente responsável por essas escolas e por alcançar essas crianças. Alguém tem que ser responsável”.
Quando Canadá começou o projeto Harlem Children's Zone, disse a seus financiadores que, se ele não mostrasse uma reviravolta completa na péssima performance do Harlem no prazo de cinco anos, que deveriam demiti-lo. Ao explicar isto para seus professores disse, "Sim, mas eu sou o último a ir embora." Ele incutiu um sentimento de responsabilidade em todo o seu pessoal.
"É um trabalho árduo, mas infinitamente factível", explica Canadá. Apesar dos resultados, faltam professores. Ninguém quer trabalhar nessas escolas. Eles até concordam em pagar um salário melhor mas vinculado ao desempenho, por isso são avaliados constantemente.
Essa é uma apaixonante experiência para copiarmos sem "nenhuma desculpa, no que for preciso". Um novo modelo de escola concebido para um tempo diferente. Com um senso de responsabilidade social e uma vontade acadêmica. É só realizar, sem desculpas.

Rachel Coelho é professora universitária e Diretora Presidente do Movimento Educacionista do Brasil- MEB


terça-feira, 21 de julho de 2009

TERMINA O 51o CONUNE

Terminou neste domingo, 19, o maior evento de estudantes do Brasil, o 51° Congresso da União Nacional dos Estudantes,que reuniu cerca de 10 mil universitários em Brasília.
O MEB – Movimento Educacionista do Brasil, que agora conta com um Núcleo no Distrito Federal e Entorno, sob a coordenação de Rafael Seabra, e com o apoio da Juventude Socialista do PDT, aproveitou o Congresso para divulgar e esclarecer as diferenças entre Educacionismo-Mebiano e Educacionismo-Senado.
Com debates profundos sobre os excluídos, um novo marco regulatório do petróleo, soberania nacional etc o maior celeiro de militantes e lideranças de correntes de pensamento do Brasil se despediram satisfeitos com uma juventude que não está inerte.

Domingo, também foi eleita a nova diretoria da União Nacional dos Estudantes (UNE) para o biênio 2009-2011. A eleição foi no Ginásio Nilson Nelson.
O novo presidente da entidade é o paulista Augusto Chagas, de 27 anos, estudante do primeiro período do curso de Sistemas de Informação da Universidade de São Paulo (USP). Como ocorreu nos últimos anos, a chapa vencedora é ligada ao PCdoB.
Oito chapas disputaram a eleição. A aliança que elegeu Chagas, contou com o suporte da União da Juventude Socialista (UJS, braço estudantil do PCdoB), do PSB, da JS, Juventude Socialista do PDT, PMDB e do Partido Pátria Livre (PPL, antigo MR-8). O PT, no entanto, entrou rachado na discussão em quatro movimentos: Mudança, Reconquistar a UNE, Quizomba e CNB. Apenas uma parcela dos seus membros apoiou Chagas.
Chagas prometeu aumentar a presença da entidade em questões nacionais, e pela mobilização em torno da aprovação, no Congresso, do projeto de reforma universitária apresentado em maio ao Parlamento. O texto prevê a implementação de um auxílio estudantil de cerca de três quintos do salário mínimo vigente para todos os estudantes carentes, de universidades públicas e privadas.
Outra batalha para Augusto Chagas é o benefício da meia entrada que segundo ele foi desvirtuado. Segundo Chagas, esse benefício, originalmente destinado aos estudantes, desvirtuou-se. Ele também é contrário à proposta do meio artístico de estabelecer cotas para a meia-entrada.
-Tivemos um retrocesso grande nos últimos anos e temos de restringir esse benefício apenas aos estudantes, disse Chagas.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

MOVIMENTO EDUCACIONISTA DO BRASIL - MEB- AGORA NO DISTRITO FEDERAL E ENTORNO!

MEB, AGORA EM BRASÍLIA!

Foi inaugurado oficialmente, sexta-feira passada, dia 17 de julho de 2009, o 1º Núcleo Educacionista de Brasília pelo MEB. A oficialização foi na tenda da Juventude Socialista do PDT durante a realização do 51º Congresso da UNE (CONUNE) que ocorreu na UnB.

Foto: Aline, Rachel, Rafael e Roberto
Nosso coordenador é o charmoso RAFAEL SEABRA, que assumiu a imensa responsabilidade de divulgar o MEB no Distrito Federal e Entorno, tarefa difícil, na medida em que as pessoas ainda não entenderam a diferença entre o educacionismo-mebiano e o educacionismo-senado.
Que somos uma postura nova, hoje somos uma ONG, registrada, oficial, com dinheiro próprio e prestação de contas de tudo que fazemos para nossos membros, apoiadores e toda a sociedade.
Que nada temos a ver com os gabinetes do senador Cristovam Buarque nem com a casa de Taguatinga, nossa sede é no Rio de Janeiro e foi comprada com dinheiro próprio da Professora Rachel Coelho.
Essa confusão foi criada também pelo fato de alguns assessores de Cristovam Buarque continuarem usando nossos mailings e alguns Núcleos nossos, como é o caso do N. E. Ourinhos que é MEB, oficialmente e não Educacionismo-Senado.
Cristovam Buarque é um de nossos membros fundadores e palestrante quando quiser, já que adotamos muitas de suas ideias mas o MEB nada tem a ver com seus gabinetes e com verbas oriundas de seu mandato.


Foto: Stand da Juventude Socialista no CONUNE. Representantes do Brasil inteiro aderiram ao MEB.
Rafael já chega no MEB, com 32 Núcleos no Ceará, trabalho que fez por conta própria na última semana. E vários Núcleos em Goiás, que serão organizados e divulgados em breve em nosso site que entra no ar oficialmente dia 12 de agosto.

Foto da esquerda para direita: Em nossa Plenária, Glauber Mello, do RS, secretário do Movimento Estudantil e da Coordenação Nacional; Bruno Franco, do RJ, secretário estadual do Movimento Estudantil e também do Movimento Negro; Everton Gomes, do RJ, presidente da Juventude Socialista do PDT- Rio de Janeiro; Rachel Coelho, do RJ, presidente executiva do Movimento Educacionista do Brasil e a grande aquisição do MEB: RAFAEL SEABRA, que assume o MEB no Distrito Federal e Entorno.

Rafinha já falou, como Coordenador oficial, Embora a Professora Rachel Coelho estivesse presente e ele tenha pedido para ela falar por ser presidenta executiva do MEB, ela fez questão que ele fizesse o discurso, o que, aliás, ele já faz há muito tempo pelo DF e Entorno em escolas públicas e recentemente em vários Municípios Cearenses.

Foto: Daniel, educacionista!

...” Rafa, você estava acostumado a trabalhar com pessoas vaidosas, eu estou presidente agora mas quem fala hoje é você. As únicas “estrelas” do MEB são as crianças”...
E vamos em frente!

DESPEDIDA DO MOVIMENTO EDUCACIONISTA DO BRASIL NA SBPC

Foi com uma grande festa que alunos e professores da SBPC se despediram da Professora Rachel Coelho.
Com a Assembléia Geral dos Petianos entrando pela madrugada (terminou às 2:00 da manhã do dia 17), Rachel Coelho não pode esperar o final e também não pode participar do encerramento da SBPC já que teria que embarcar para Brasília onde tinha compromisso, nesta sexta, no 51º Congresso Nacional da UNE.
...”Não posso deixar de participar amanhã do Congresso da UNE. É politicamente o dia mais importante porque é o dia dos Grupos de Trabalho. Mas retorno para inaugurarmos o 2º Núcleo Educacionista de Manaus em agosto”...

O segundo Núcleo Educacionista na cidade de Manaus ficará sob a responsabilidade de Mário Lúcio da Silva, Presidente da União dos Estudantes do Amazonas.


...” Queria agradecer a todos, foi uma semana inesquecível. Sinto que cada vez mais nos fortalecemos aqui. Obrigada a todos!
Mas em especial ao Belém! Obrigada por tudo, meu lindo!

E vamos em frente”!...

quinta-feira, 16 de julho de 2009

MEB E PET: A UNIÃO FAZ A FORÇA!

MEB E PET: A UNIÃO FAZ A FORÇA!

Agora é definitivo. MEB e PET casados. A Professora Rachel Coelho, presidenta executiva do Movimento Educacionista do Brasil, se reuniu com os Petianos no Encontro Nacional dos Grupos PET que está sendo realizado em paralelo a 61ª Reunião Anual da SBPC.
Amanhã, dia 16, os Petianos realizarão sua Assembléia Geral para que se registrem como Pessoa Jurídica e então,com representatividade legal e reconhecimento ao programa terem assento no Ministério da Educação assim como hoje é o MEB. E a Professora Rachel Coelho assinará a Ata, como membro fundadora.


Rachel Coelho, que conheceu o programa através do vice-presidente do MEB, Professor Tomaz Passamani, está encantada com o programa e com o entusiasmo dos petianos. Porque o compromisso assumido pelo programa ultrapassa a tríade ensino, pesquisa e extensão já que as questões sociais também estão inseridas nas pesquisas.

E vamos em frente!

EDUCACIONISMO: VIAJEM NESSA IDEIA !

Este é o robô Jaci (lua em tupi-guarani). O Jaci é um protótipo de uma sonda no espaço.É controlado por controle remoto, pelo celular e também pode ser programado pelo computador. Este projeto pedagógico, que foi inspirado no Spirit, é fruto de uma parceria com a AEB Escola (Agência Espacial Brasileira).

A SBPC trouxe um grupo de crianças da rede municipal de Manaus para conhecerem o projeto, se envolverem e sentirem que podem ser cientistas. O projeto também é uma homenagem aos 40 anos do homem na lua e 400 anos da astronomia.


As crianças, em sua maioria de 8 a 10 anos nunca tinham ouvido falar em sistema solar, via láctea etc.
A professora Rachel Coelho participou de todo o cursinho. Distribuiu material do Educacionismo. Explicou para cada criança que elas tem direito a boas escolas.

...”Viajem nessa idéia: Educacionismo! Escola do pobre igual a escola do rico! Vocês tem direito a isso, e isso é possível. Assim como é possível que vocês sejam astronautas, assim como o Marcos Pontes”...

quarta-feira, 15 de julho de 2009

DIREITOS INDÍGENAS NA SBPC

DIREITOS INDÍGENAS: POR UM PANORAMA JURÍDICO NACIONAL
ASSIM FOI A MARAVILHOSA, EMOCIONANTE, INESQUECÍVEL PALESTRA DO PROFESSOR CARLOS FREDERIDO MARÉS DE SOUZA FILHO, DA PUC DO PARANÁ, COM A APRESENTAÇÃO E TAMBÉM BELÍSSIMA EXPLANAÇÃO DO PROFESSOR FERNANDO ANTONIO DE CARVALHO DANTAS DA UEA .
...” O PROBLEMA É A ACUMULAÇÃO DE RIQUEZAS COM A EXCLUSÃO DA NATUREZA. E O QUE O DIREITO TEM FEITO? INCRIVEL MAS A EUROPA ESTÁ PARADA, NÃO TEM MAIS RESPOSTA,O CAPITALISMO NÃO TEM MAIS A OFERECER. MAS A AMÉRICA LATINA TEM RESPOSTAS. A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA DE 1988, A COLOMBIANA DE 1992, QUE ENTREGA PARCELA DO ESTADO À COMUNIDADES INDÍGENAS, COMO CADEIRAS NO SENADO. E FAZ O MESMO COM A QUESTÃO AMBIENTAL.
PRESIDENTE EXECUTIVA DO MEB – MOVIMENTO EDUCACIONISTA DO BRASIL – A PROFESSORA RACHEL COELHO PARTICIPOU DA MESA DE DEBATES E PONDEROU QUE AS CONSTITUIÇÕES SÃO MUITO BONITAS TEORICAMENTE MAS QUE NA PRÁTICA O STF AGE DE FORMA POLÍTICA. A SOLUÇÃO É O EDUCACIONISMO. TEMOS QUE MUDAR DE RUMO. EM RESPOSTA A UM EX-ALUNO DO PROFESSOR MARÉS, QUE DISSE QUE EM RORAIMA TEM ÍNDIOS VEREADORES E COM CARROS IMPORTADOS.


..." TEMOS CRIANÇAS SEM ESCOLA, E ESCRAVIDÃO AINDA. NÃO SÓ NA RAPOSA E NA SERRA DO SOL, COMO EM VÁRIOS MUNICÍPIOS DO PAÍS. TEMOS QUE REPENSAR A EDUCAÇÃO INDÍGENA QUE EM MUITOS LUGARES, AINDA, É FEITA DE MANEIRA ALTERNATIVA PELA SOCIEDADE CIVIL E PELA IGREJA. E LAMENTAVELMENTE EM ALGUMAS REGIÕES A EDUCAÇÃO INDÍGENA É DOMINADA POR MISSÕES RELIGIOSAS COM OBJETIVO DE PREPARAR MÃO DE OBRA ADEQUADA A DETERMINADOS MERCADOS. É ÓBVIO QUE TEM VEREADORES INDÍGENAS EM RORAIMA, QUE BOM QUE TENHA. LÁ 90% DA POPULAÇÃO É INDÍGENA. MAS LAMENTAVELMENTE ISSO É EXCECÃO.

E TEMOS QUE REVER O CONCEITO DE ESPÉCIE HUMANA. COMBINAR AS DIFERENÇAS CULTURAIS E NOSSAS IGUALDADES COMO SERES HUMANOS. OS YANOMAMIS NÃO SÃO BRASILEIROS E VENEZUELANOS. TEMOS DIFERENÇAS CULTURAIS QUE EVIDENTEMENTE TEM QUE SER RESPEITADAS MAS NÓS NÃO SOMOS AMERICANOS, ÁRABES, JUDEUS, NEGROS , ÍNDIOS. SOMOS A ESPÉCIE HUMANA ACIMA DE TUDO E PERDEMOS O SENTIDO DA ESPÉCIE. NÓS DIVIDIMOS O QUE É INDIVISÍVEL. SOMOS A ESPÉCIE HUMANA ACIMA DE TUDO. ESSA É A VISÃO EDUCACIONISTA E NÃO DEIXAREMOS DE SER PATRIOTAS POR ISSO. NÓS NOS DIVIDIMOS PELA RELIGIÃO, RAÇA, COR DE PELE. DIVIDIMOS O INDIVISÍVEL. SEGMENTAMOS A VIDA. ACABEI DE PASSAR UMA SEMANA NUMA RESERVA. SOMOS IGUAIS. A DIFERENÇA É QUE EU TIVE ESCOLA E ELES NÃO TIVERAM. A DIFERENÇA ESTÁ NO ICEBERG DA INTELIGÊNCIA. UM PROFESSOR DE HARVARD POSSUI OS MESMOS FENÔMENOS QUE LÊEM A MEMÓRIA E CONSTROEM CADEIAS DE PENSAMENTOS DE UMA CRIANÇA CASTIGADA PELA FOME. A IMENSA BASE É A MESMA. A DIFERENÇA ESTÁ NA OPORTUNIDADE DE DESENVOLVER NOSSAS MENTES"...


EDUCACIONISMO NA SBPC

MEB NA SBPC



A PROFESSORA RACHEL COELHO, PRESIDENTA EXECUTIVA DO MEB, SUPEROU TODAS AS PALESTRAS ATÉ HOJE PROFERIDAS PELO MOVIMENTO EDUCACIONISTA NO BRASIL E FALOU PARA MAIS DE 1000 PESSOAS NA ABERTURA DA 61ª REUNIÃO ANUAL DA SBPC , NO AUDITÓRIO EULÁLIO CHAVES NA UFAM.



...” HÁ POUCO MAIS DE UM ANO PLANTEI A SEMENTE AQUI, NA UFAM, E É COM MUITA EMOÇÃO QUE VOLTO AQUI, EM SEU CENTENÁRIO, NA MAIOR REUNIÃO CIENTÍFICA DA AMÉRICA LATINA E CONSIGO PRENDER A ATENÇÃO DE MAIS DE 1000 PESSOAS FALANDO DE EDUCACIONISMO. EU SABIA QUE O SOLO ERA FÉRTIL HOJE NÃO SOU APENAS UMA EDUCADORA, SOU UMA SEMEADORA. PERDI O CONTROLE DO QUE PLANTEI !" ...


DEPOIS DE UM DIA DE DEBATES E MESAS-REDONDAS TODOS FORAM “BRINCAR DE BOI”, COM MUITA CERVEJA E A APRESENTAÇÃO DE FABIANO CHAVES, CANTOR DE TOADAS DO BOI-BUMBÁ CAPRICHOSO.

RACHEL COELHO ENFATIZOU A IMPORTÂNCIA DA CULTURA DO BOI-BUMBÁ, ATRAVÉS DA QUAL CONTA-SE HISTÓRIAS DE UMA REGIÃO E SE TEM NOÇÃO DO DESENVOLVIMENTO DA MESMA REGIÃO.

MINHA CIDADE QUERIDA, QUE A ESTRELA DO CAPRICHOSO ILUMINE NOSSO CAMINHO E FAÇA COM QUE DAQUI PRA FRENTE TODAS AS NOSSAS CRIANÇAS TENHAM OPORTUNIDADES DE BRILHAR.

MANAUS! ONDE EU DESCOBRI A GRANDEZA DAS COISAS SIMPLES. A VERDADEIRA FELICIDADE. EU AMO VOCÊS!

RACHEL COELHO MANTEVE E CONFIRMA A CAMINHADA EDUCACIONISTA NO ENCERRAMENTO DO EVENTO, SEXTA, DIA 17.

sábado, 11 de julho de 2009

EDUCACIONISMO NA AMAZÔNIA

CIÊNCIA E CULTURA SE ENCONTRAM NA AMAZÔNIA

MAIOR REUNIÃO CIENTÍFICA DA AMÉRICA LATINA COMEÇA NESTE DOMINGO EM MANAUS

A SBPC Cultural mostrará diversidade de manifestações culturais existentes na região. Evento ocorrerá paralelamente à 61ª Reunião Anual da SBPC.

Além de ampliar o conhecimento científico sobre a Amazônia brasileira, o público participante da 61ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) também terá a oportunidade de ter contato direto com a diversidade cultural da região.
Ao término das atividades científicas, nos dias 13 a 17 de julho, a ciência dará lugar à cultura no campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em Manaus, com a realização da SBPC Cultural.
Composta por uma série de atividades, com ênfase na produção artística e cultural da região, o evento deverá reunir cerca de 500 artistas, de diversas expressões culturais, reunidos pelo projeto cultural Uakti - um movimento criado no final da década de 80 no Amazonas com o objetivo de possibilitar a expressão e a construção da identidade dos artistas amazonenses.“A programação está fantástica e digna de receber os participantes. Terá uma diversidade de manifestações culturais da região, abrangendo, entre outras, música, dança, artes plásticas e teatro”, conta o coordenador da SBPC Cultural, William Gama.
Destaques: Distribuídas por núcleos temáticos, um dos destaques da programação cultural é o show de música popular brasileira “Encontro das águas e dos poetas”, que será realizado nas noites dos dias 13 a 15 de julho. Reunindo 27 canções, de autoria de poetas, cantores e intérpretes amazonenses, a cada três músicas executadas serão recitados poemas com o mesmo tema das composições: a água.
Na quarta-feira, 15 de julho, com a participação do Núcleo Educacionista Jefferson Peres, os grupos indígenas das etnias dessana e saterê também apresentarão parte do repertório de músicas de suas tribos, de forte conteúdo ritualístico e muito associadas à dança, na “Mostra de Música Instrumental”.
Já na quinta-feira, dia 16 de julho, o aclamado violonista Sebastião Tapajós subirá ao palco para dar uma mostra do virtuosismo musical que tem encantado platéias no Brasil e no exterior.
Ao final das apresentações, nos dias 13 a 17, serão realizados shows dançantes mostrando toadas de boi-bumbá de Parintins, músicas do beiradão – uma mistura de ritmos e influências musicais que buscam resgatar a cultura dos caboclos - e sambas de enredo compostos por escolas de samba da região em homenagem aos 100 anos da Ufam e aos 50 do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
No dia 17 de julho, se apresentarão cinco grupos folclóricos que se destacaram na última edição do Festival Folclórico do Amazonas, reproduzindo uma quadrilha de festa junina, o cangaço nordestino e a ciranda, entre outros.
De acordo com o agente cultural, o entusiasmo dos artistas se deve à oportunidade de mostrar ao público participante da 61ª Reunião Anual da SBPC a diversidade cultural da Amazônia e desmistificar a imagem que a região tem em outros lugares no país e no exterior.“O discurso sobre a Amazônia na mídia internacional e brasileira é geralmente ligado às questões ambientais. Como o próprio tema escolhido para a Reunião da SBPC este ano é ciência e cultura na Amazônia, queremos mostrar no evento que, além de fazermos ciência, também temos uma cultura muito rica e diversificada”, ressalta.
A SBPC Cultural integra a programação da 61ª Reunião Anual da SBPC que será realizada a partir do dia 12 em Manaus (AM), no campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).O evento, cujo tema é “Amazônia: Ciência e Cultura”, contará com 175 atividades, entre conferências, simpósios, mesas-redondas, grupos de trabalho, encontros e sessões especiais, além de apresentação de trabalhos científicos e minicursos.
O fechamento da programação contará com uma palestra da Professora Maria Rachel Coelho com o tema: Energia e Meio Ambiente - O Educacionismo é a solução para o futuro.
Veja a programação em http://www.sbpcnet.org.br/manaus.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

OS CAMINHOS QUE A VIDA ESCOLHEU E OS CAMINHOS QUE EU ESCOLHI

*Por Brizola Neto
Nasci em 11 de outubro de 1978, ano em que meu avô, Leonel Brizola, no exílio, recebia o ultimato do governo uruguaio para deixar o país. Dele e de meu outro avô, o Capitão da Aeronáutica Alfredo Daudt, recebi exemplos de luta e sacrifício pelo Brasil e pela democracia. Alfredo Daudt, com a ajuda de outros oficiais e sargentos, impediu a decolagem dos jatos da FAB que bombardeariam o Palácio Piratini, na Campanha da Legalidade. Pondo em risco a carreira e a própria vida, evitou o assassinato de Brizola e de milhares’de pessoas que, junto com ele, defendiam a Constituição e a posse do Presidente João Goulart. Um avô salvou o outro e os dois salvaram, por algum tempo, o Brasil de uma ditadura.
Menino e adolescente, convivi com as esperanças e dificuldades de meu avô Brizola no Governo do Rio. Vi seu amor pelos CIEPs, sua revolta com as injustiças, vi como sofria sem jamais desanimar frente às mentiras e manipulações da mídia. E, sobretudo, vi como ele agia com austeridade e honradez com a coisa pública. Governador duas vezes, nunca quis morar nos palácios e muito menos queria que seus netos fossem criados num ambiente de luxos e futilidades.
Aos 16 anos, eu queria trabalhar. Outros, talvez, teriam arranjado uma colocação para o neto. Ele, com aquele seu jeito típico, disse-me:queres trabalhar? Então vens trabalhar comigo. Quem conheceu meu avô, sabe que isso estava muito, muito longe de ser emprego tranqüilo. Nada de horário folgado, nada de regalias e mordomias. Ser seu secretário foi uma grande experiência, embora, com esta idade, muitas vezes eu não entendesse que, quando muitos de meus amigos estavam sainda para a noite e eu ficava do telefone para a máquina de escrever e dali para as pastas de arquivo. Eu estava aprendendo que a política pode e deve ser feita com responsabilidade, dedicação e coerência.
Mas eu não deixei, por isso, de ser, como dizem no Rio e no Sul, um guri. Gostava(que saudade!) de pegar onda, e acabei por tornar-me amigo de vários jovens das favelas da Zona Sul. Se tinha gente metida que torcia o nariz ao meu sobrenome Brizola, com eles só rolou identidade. O que Leonel Brizola dizia sobre a discriminação contra os pobres, sobre falta deperspectivas de uma vida digna, com trabalho e educação para todos, eles sentiam na pele. Desta amizade acabou nascendo o Favela Surf Club, onde jovens do Cantagalo e do Pavão-Pavãozinho aprendem a surfar e a fabricar e consertar pranchas. Na Rocinha, participei do projeto Casa de Cultura, que oferecia aulas de pintura, música, computação e dança para ascrianças da comunidade.
O desejo de transformar essas duas experiências em militância política veio, então, naturalmente para mim.
Depois de quase dez anos diariamente ao lado, tive de conviver com a dor de sua morte. Quando a família me escolheu para, diante do Palácio do Catete e de uma multidão, homenageá-lo com a leitura da Carta Testamento de Vargas,a emoção deu lugar a uma certeza profunda do meu dever. E me determinei a cumpri-lo.
Em 2004, fui eleito vereador da cidade do Rio de Janeiro, que exerci princípios de ética e moral que herdei de meu avô procurando fazer de meu mandato uma ferramenta da luta pela educação e pelo trabalhador. Eleito deputado federal em 2006, segui com as mesmas referências históricas e tentando aprender mais. Cheguei, em 2009, aos 30 anos, à posição de líder da bancada do PDT na Câmara dos Deputados. A vida tem me ensinado que a força da juventude e o equilíbrio da idade não se contradizem, e boa parte dessa lição eu tenho aprendido com o casamento com Julia e com a delicadeza de minha Maria Clara, que completou seu primeiro aninho em maio.
O nome que carrego é uma bandeira. É um símbolo para milhões de pessoas que sonham com um Brasil diferente, com um Brasil com justiça, com trabalho, com progresso para nosso povo.
Defender este país é ser nacionalista; defender este povo é ser trabalhista. E lutar por isso a vida inteira, sem jamais esmorecer, é ser Brizola.
* Deputado Federal pelo PDT.